Erlan Tostes | Ovelhas Elétricas – Por que muitos andam no engano? (#29)

Fala pessoal, Renato Braga aqui!
Depois de meses sem gravar estou de volta, agora com uma pegada mais filosófica e provocativa, a fim de te levar a pensar mais sobre a vida e o que você tem feito para viver.
Neste papo eu converso com o grande Erlan Tostes, Teólogo Host do Ovelhas Elétricas!
Neste papo trocamos sobre um assunto muito importante para a comunidade que é a importância de pensar. Por que as pessoas deixaram de pensar? Ou se tornaram preguiçosas para estudar as escrituras. E o que você pode fazer para mudar esse cenário!

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É pecado fumar?

Por que as pessoas ficam tão ligadas ao que é e o que não é pecado, ao invés de se preocupar com o que é bom e o que não é bom para a sua saúde? Simples, porque são legalistas.

Não é só culpa do homem (ser humano) fazer esse tipo de julgamento, afinal nosso cérebro categoriza naturalmente dessa forma, 0 ou 1: Pecado e não pecado. Ou seja, com esse padrão a pessoa vai naturalmente buscar o que não é pecado e repudiar tudo o que é classificado como pecado. Esse processo funciona bem até a segunda página do manual…hehehe (brincadeira). Essa classificação funcionaria se o cristianismo fosse um conjunto de regras e leis a serem seguidos, mas NÃO É!

Deixa eu te dizer uma coisa: A bíblia não tem resposta para todas as perguntas! Ou seja, existem assuntos que não foram abordados pelos escritores bíblico, não pela falta de importância, mas porque certas afirmações bíblicas possuem abrangência suficiente para termos uma resposta.

Deixa eu te fazer uma pergunta: O que é pior, fumar ou se entupir de fast food (comida lixo)?
Muitos cristãos vão dizer que o pior é o cigarro, mas posso afirmar que ambos podem te matar. Então, se você é desses que julga quem fuma mas fica se entupindo de comida industrializada eu sugiro que medite melhor sobre isso.

O alto consumo de comida industrializada não vai só te engordar, mas vai acabar com a sua saúde, te deixar cansado, fadigado e indisposto (sem contar a gastrite e o alto risco de uma doença cardiovascular). Tão ruim quanto o cigarro, que a longo prazo vai amarelar os dentes e destruir o seu pulmão.

Portanto, respondendo a pergunta inicial: Fumar é pecado? Não, não é.

O pecado pode ser categorizado pela transgressão da lei de Deus, e até onde sei não existe nenhuma lei anti tabaco nas escrituras.

Um fato curioso: Alguns homens de Deus fumavam, e um deles era Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores já registrado na história do cristianismo.

Portanto, assim como fumar não é pecado, também não é pecado comer pizza, cachorro quente, pastel de feira e Burger King. No entanto, assim como a comida lixo o ato contínuo do fumo certamente vai destruir com o seu corpo, ou seja, com o “templo do Espírito”. Pois olha o que diz em 1 Coríntios:

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de vocês mesmos?“

1 Cor 6:19

Portanto meu amado e querido leitor, não seja legalista. Fumar não é tão pecado quanto comer aquele rissole requentado e frito na gordura vegetal reutilizada.

A única forma de categorizar o fumo como “pecado” é se ele for um vício (dependência química e crônica). Mas lembre-se que o vício não é um termo criado especificamente para fumo, mas para tudo que trás dependência, como aquela garrafa de café que você toma todos os dias…

Nota: Eu não estou defendendo o uso de tabaco, até porque eu também não fumo… rsrsrs

Quatro formas de ensinar as escrituras

Existem ao menos quatro formas de ensinar as escrituras, ou quatro formas de expressar o conhecimento da Palavra dentro da igreja. Seja em um culto, escola bíblica ou em reuniões de estudo bíblico em casa.

Cada formato de ensino que será apresentado aqui coopera de uma forma diferente, podendo ser usado tanto de forma positiva (para a edificação da fé) quanto de forma negativa (manipular as pessoas). Logo a minha ideia é expor estes formatos, pra que você tome conhecimento de cada uma delas e as use com total sabedoria e temor no Senhor.

Método Histórico

O primeiro formato que eu quero citar aqui, é o mais conhecido dos quatro, o método “Histórico” ou a exposição da história bíblica. 

Esse método consiste em ensinar sobre Deus e seus estatutos através da leitura e interpretação das histórias contidas na bíblia.

O pastor/pregador faz a leitura e interpretação do texto bíblico, destacando alguns pontos importantes e trazendo uma aplicação moral para seu público.

Dos quatro pontos apresentados aqui, este é o mais fácil, basta o pregador ter um conhecimento mínimo sobre o texto em questão e levantar alguns pontos que ele julga ser importante para aquele momento.

O ponto positivo deste formato é a praticidade, o fato de um pregador experiente construir rapidamente uma pregação. O ponto negativo é que muitos falsos mestres usam esse formato para enganar a igreja, fazendo interpretações absurdas e fora de contexto. E por conta disso eu prefiro usar o método que falaremos a seguir.

Método Metodológico

O segundo formato que eu quero abordar aqui é o “Metodológico”, neste formato você não interpreta o texto, mas ensina as pessoas a como interpretá-lo corretamente. Você não trás o peixe pronto, mas ensina o povo a pescar.

Neste formato você indica o caminho e dá as ferramentas para que as pessoas aprendam a interpretar as escrituras. É um método demorado porém o mais eficaz, pois as pessoas aprenderão a aprender diretamente da fonte, sem intermediários, diminuindo os riscos de um viés errado sobre a interpretação do texto.

Método Sistemático

O terceiro formato é o “Sistemárico”, em outras palavras estudar através de temas e problemas, como Salvação, Santidade, Igreja, Batismo… Este formato é excelente para imergir em temas mais complexos. Não é o mais adequado para cultos, mas muito importante para escola bíblica, para a fundamentação da fé.

Método Prático

O quarto e último formato é o método “Prático”, o mão na massa.
Cristianismo não é apenas teoria, mas também prática. De que adianta entender sobre piedade sem praticá-la? De que adianta estudarmos sobre os frutos do Espírito se eles não estão presentes em sua vida? A prática apesar de ser o método que menos se verbaliza é o que mais deixa marcas nas pessoas. 

Guerra contra os falsos mestres

Poucas coisas me incomodam, mas nada me incomoda mais do que ouvir besteira de um líder religioso.

Estes líderes normalmente são homens eloquentes, de boa oratória e muito carisma mas que usam de legalidade e moralismo para manipular seu público.

Olha o que Paulo disse sobre eles em Romanos:

Pois essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas a seus próprios apetites. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam o coração dos ingênuos.”

Romanos 16:17 e 18

Estes líderes costumam servir ao seu próprio ventre, criando seu império em nome de Jesus. Seus objetivos normalmente estão ligados na busca pelo “PODER”, não de ser um deus, mas de ser como Deus.

O foco desses falsos mestres costuma estar sempre ligado a quantidade de membros (com a visão errônea de que quanto maior a igreja, mais abençoado por Deus é o ministério), diferente de como era a igreja no livro de Atos, estes falsos mestres são semelhantes aos construtores da torre de Babel (querem construir um prédio imponente a fim de serem reconhecidos como pessoas santas e prosperas):

“…Vamos construir uma cidade com uma torre altíssima, que chegue até aos céus; dessa forma, o nosso nome será honrado por todos e jamais seremos dispersos pela face da Terra!”

Genesis 11:4

Ou seja, o plano não é levar o evangelho, mas trazer pessoas para seu império, prendendo-as com o seu discurso eloquente sobre moralismo e legalidade.

Construir esse império exige muito dinheiro, e para isso os falsos mestres costumam adotar uma teologia financeiramente mais agressiva, apelando a campanhas, votos e ofertas alçadas. Sempre enfatizando as bênçãos de Deus para aqueles que fazem sacrifícios financeiros.

Sua teologia também é regada a medo onde todos que tentam sair da igreja são indiretamente ameaçados pelo líder, com frases como “você deixará de ser abençoado”, “você estará em maldição”, “não saia da cobertura espiritual”… Entre muitos outros absurdos.

No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda.

2 Pedro 2:1 à 3

Deste texto, quero destacar dois pontos importantes citado por Pedro:

“…chegando a negar o Soberano que os resgatou…”

O falso mestre invalida a soberania de Deus, dando ordens, fazendo de Deus o servo da igreja. Dizendo “Deus, faça isso… em nome de Jesus…”, “Deus, me faz prosperar”, “Deus, eu quero a minha benção!”.

O falso mestre manipula a bíblia. Ao invés dele ensinar a igreja como interpretar as escrituras, ele se faz de santo e trás falsas revelações (alegorias inventadas), dando a impressão de que apenas ele tem revelações. Como Pedro afirma:

“…Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram.

E para finalizar, o que mais me embrulha o estomago:

“enganam o coração dos ingênuos.”

Romanos 16:18

Neófitos e pessoas que não buscam compreender a bíblia são os principais alvos destes falsos mestres.

Não é atoa que falsos mestres investem pesado no ministério de Louvor. Pessoas são movidas pelas suas emoções!
Note bem, falsos mestres costumam pedir dinheiro depois do louvor, pois é um momento de vulnerabilidade, onde o povo está com o coração aberto. Eles fazem uso indireto de técnicas de PNL e Hipnose para empoderar seu povo e induzi-lo ao erro.

Estes são apenas alguns dos muitos atos exercidos pelos falsos mestres. Portanto, tome cuidado! O melhor escudo é o conhecimento. Leia a bíblia, aprenda a interpreta-la corretamente e não seja enganado.